Legado de 55 anos: IFAM despede-se do professor Jorge Andrade em cerimônia marcada por homenagens
Uma vida dedicada ao ensino: Em cerimônia emocionante, reitor do IFAM homenageia legado de 55 anos do Prof. Jorge Andrade

Em cerimônia marcada por homenagens e emoção, o IFAM celebrou a trajetória de um de seus docentes mais respeitados. O professor Jorge Cavalcante de Andrade teve a aposentadoria oficializada por meio da Portaria nº 621/GR/IFAM, de 15 de abril de 2026, encerrando um ciclo de 55 anos dedicados ao magistério, além de outros sete anos como estudante da própria instituição.
A cerimônia de despedida foi marcada por forte emoção e contou com a presença do reitor do IFAM, Jaime Cavalcante Alves. Em seu discurso, o gestor relembrou a importância de docentes como Jorge, que ao longo das décadas ajudaram a formar personalidades políticas, empresariais e das áreas de saúde, engenharia e direito no estado. "Não era só ensinamentos acadêmicos, mas nós tínhamos ali ensinamento de vida, ensinamento de como você seguir no seu caminho dentro de uma perspectiva humana e uma perspectiva ética", destacou o reitor.
Como símbolo material dessa trajetória, a reitoria entregou uma placa de mérito educacional, exaltando sua "dedicação incansável ao crescimento e a consolidação da educação profissional e tecnológica no Amazonas".
Jaime Cavalcante Alves ressaltou que o professor abdicou de se aposentar anteriormente por puro amor à docência, escolhendo permanecer na ativa até o limite de idade permitido por lei. Como forma de agradecimento, o IFAM entregou a Jorge Andrade uma placa de mérito educacional por sua "dedicação incansável ao crescimento e a consolidação da educação profissional e tecnológica no Amazonas". O reitor ainda fez um convite oficial para que o mestre continue frequentando a casa atuando como professor e pesquisador convidado.
A trajetória do homenageado se mistura com a do próprio ensino técnico no Amazonas. Ele ingressou na então Escola Técnica de Manaus em 1964 e acompanhou de perto suas transformações para Escola Técnica Federal (ETF), CEFET e, finalmente, IFAM. Foi contratado no dia 4 de fevereiro de 1971 para lecionar aulas de prática profissional. "Eu entrei aqui menino e tô saindo velho", resumiu o professor, com carinho, sobre sua jornada. Entre as memórias colecionadas em mais de meio século, Jorge Andrade recorda com saudosismo das visitas técnicas para acompanhar a construção da Usina Hidrelétrica de Balbina desde o tempo das primeiras escavações.
A falta de sua metodologia marcante já é sentida pelos discentes do curso técnico em Eletrotécnica. A aluna Sofia de Moraes Branício, de 17 anos, elogiou o entusiasmo de Jorge com o eletromagnetismo e destacou a vivência no laboratório, "sempre colocando em prática o que a gente vê na teoria". Já o estudante Lucas Damaceno, também de 17 anos, enalteceu a leveza com que os assuntos complexos eram transmitidos. Ele relembrou as clássicas brincadeiras do mestre em sala de aula, como o desafio humanamente impossível de arrancar com as próprias mãos a tampa de um transformador imantado em troca de uma nota 10 na média.
Engana-se, porém, quem pensa que o professor Jorge pretende ficar inativo em frente à televisão. Para o futuro, ele planeja continuar trabalhando, desta vez prestando auxílio na empresa de energia solar do seu filho.
Para o professor, a missão de educar sempre foi além da transmissão de conteúdos técnicos. Seu objetivo, segundo ele, nunca foi apenas formar alunos, mas construir laços duradouros. “Quando terminar o ano letivo, eu não quero ter alunos. Eu quero ter amigo, formar amigo”, afirmou. O sucesso dessa filosofia tornou-se evidente ao longo dos anos: ao visitar indústrias da região, o docente relata que ex-alunos deixam seus postos “como formigas de um formigueiro” apenas para abraçá-lo, em demonstração de carinho e reconhecimento.
Aos educadores que permanecem ou ingressam no IFAM, ele resume a base de sua trajetória longeva em um conselho simples e direto: “Fazer o trabalho com dedicação, com amor e fazer com gosto, não fazer por fazer. Eu não sou professor por acidente. Eu sou professor porque gosto de dar aula.”
Obrigado, Professor Jorge. A sua energia continuará movendo as próximas gerações.